E um dia, meu amor, eu me canso dessa vida agitada, dessa distância, de uma vida dividida... Eu me canso das noites solitárias, das ligações noturnas, do pouco em que vivemos... Um dia, meu amor, eu me livro de tudo isso, me livro dos patrões, dos professores, de 306 km de distância, me livro da VIVO e da TIM... Um dia, meu amor, jogo tudo pro alto e te rapto, e te levo pra longe... Te levo pra onde possamos ser somente nós, simplesmente nós... Sem nada pra nos atrapalhar... Sem ninguém para nos incomodar!!!
Que Você possa escrever uma bela história de amor. E, se escrever, não tenha medo de falhar. E, se falhar, não tenha medo de chorar. E, se chorar, não tenha medo de suas lágrimas. Repense sua vida, mas não desista. Não cobre demais de si nem do outro. Dê sempre uma nova chance para si mesma.
Ao fundo se lia: "Ouve-se histórias de amor" Junto à placa uma senhora, tranquila, estava sentada numa cadeira de
madeira, e acredito que muito confortável. Comecei a pensar o quanto era necessária essa mulher ali sentada, a espera
de histórias de amor, felizes, mal resolvidas, lindas... Quantas histórias a serem ditas, e quantos corações ansiosos pelo simples
fato de contá-las... Muitas vezes a gente só quer falar, botar tudo pra fora e chorar... Ou outras vezes a gente só quer relembrá-las... E por tantas vezes que as relembramos as sentimos novamente... Fiquei tentada a ir até a mulher e contar minha história de amor, que seja
para inventá-la... Ou somente ouvir as tantas histórias que está mulher ao longo já
testemunhara... Mas então lembrei que nada tenho a contar, nada tenho a lembrar... A não ser esta, que se encontra no primeiro capítulo!
E era tola... Desconhecia um mundo colorido, não imaginaria jamais ousar, dar dois, três quatro, ou muitos passos além... Não se atreveria sair do seu comodismo sem fim, da sua bolha incolor que tantas vezes se fez de cristal... E pensaria por diversas vezes por que é que o Zé da quitanda, que perdera a esposa e a filha, conseguia dar risos e sorrisos... Mal sabia ela que ele aprendera a conversar com suas amadas através do riso do coração...
Era tola... Tinha medo do entardecer, e só de pensar nas gotas de chuvas finas se encolhia toda trêmula... E pensaria alguns dias como é que tantas crianças se imundiavam no barro... Mal sabia ela que essas crianças estavam agarradas numa fantasia infantil, assim como agarravam a barra da saia de suas mães... Era tola... Não aprendera a viver, mas gostaria de saber, gostaria de sentir o cheiro de um roseiral, de enterrar suas mãos na terra macia, gostaria, mas não podia... Não a ensinaram viver... Era tola!!!